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Agentes prisionais suspendem greve. Requisição civil esvaziou conteúdo da mesma, diz sindicato


03 Ago 2020 Sociedade

O STCS, sindicato que representa os agentes prisionais, diz que suspensão não é uma derrota e promete novas formas de luta.

Os agentes prisionais de Cabo Verde suspenderam a greve de sete dias, logo após as primeiras horas de concentração, alegando que a requisição civil decretada pelo governo esvaziou o conteúdo da greve.

O sindicato que representa os agentes prisionais argumenta que o conselho de ministros aprovou um estatuto "desvirtuado da aspiração da classe". João Mette, presidente do Sindicato dos Tralhadores do Comércio e Serviço, STCS, justifica a suspensão da greve dos agentes prisionais com os moldes da requisição civil decretada pelo governo. O sindicalista considera que a requisição civil esvazia o sentido da greve.

“Temos uma requisição civil em que, na Praia, vão trabalhar com um efectivo de 75%. Em São Vicente são 90% dos efectivos e nas ilhas do Fogo, Sal e Santo Antão, 100% dos efectivos. Isso quer dizer que não vale a pena fazermos a greve. Face a esta situação, nós vamos suspender a greve, vamos analisar a situação com os trabalhadores e vamos redefinir uma nova estratégia de luta. Não significa que haja derrota, nem pensar.”

O STCS promete novas formas de luta. João Mette considera que o conselho de ministros aprovou um estatuto à revelia da classe.

“Não querem abrir mão da exclusividade do cargo da direcção para os agentes prisionais; a forma de evolução nas carreiras não chegou a ser discutida na totalidade, ao fim e ao cabo, cerca de 30 e tal artigos do estatuto eram para ser discutidos com o sindicato e não foram discutidos. Apenas discutimos dois aspectos, mas, mesmo assim, nesses dois aspectos consensualizados, em que assinámos um acordo em Dezembro de 2019, ao integrar esse aspecto no estatuto, deturparam puro e simplesmente aquilo que nós tínhamos conversado e assinado.”

O presidente da Associação dos Agentes Prisionais, Bernardino Semedo, diz que a classe quer um estatuto digno.

“Nós negociámos, no ano passado, uma nova grelha salarial, então, não é aumento salarial. E quando há nova grelha salarial, no mínimo ela tem de ser proporcional para acompanhar a classe. Nós assinámos algo que era proporcional, de um momento para outro aparece alguém mais inteligente que altera tudo. Depois, como têm a última palavra, aparecem na comunicação social a dizer que é assim, e fica assim. Não foi o que negociámos, foi muito além. Nós queremos dignidade no estatuto.”

Os agentes prisionais de Cabo Verde acabam de suspender a greve de sete dias, alegando que a requisição civil esvazia o sentido da greve e prometem novas formas de luta.

José António dos Reis, RCV
Editado por Benvindo Neves



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