Notícias

Cabo Verde pode e dever ter uma política mais forte direccionada para a África, diz Presidente da República


Jorge Carlos Fonseca, durante um encontro com jornalistas na Praia
05 Jul 2020 Política

Entretanto, Jorge Carlos Fonseca põe de lado, pelo menos por enquanto, a adesão de Cabo Verde a uma hipotética moeda única africana.

O Chefe de Estado cabo-verdiano considerou numa entrevista recente a um coletivo de jornalistas, que o papel do Presidente da Republica, no que toca à política externa, precisa ser clarificado.

“Uma questão que deve ser esclarecida termos de revisão constitucional é a matéria de política externa, o papel do Presidente, não é claro. Isto é, resulta da Constituição, acho eu, que cabe o papel do Presidente a política externa. Ele é que representa em primeiro lugar o Estado de Cabo Verde, ele é que nomeia os embaixadores, portanto tem que ter um papel de articulação. Embora, seja o Governo a definir e a executar a política externa do país.”

Jorge Carlos Fonseca ressalvou, no entanto, que o sistema de governo vigente em Cabo Verde é o melhor que o país poderia ter. Embora classifique de boa a atuação de Cabo Verde no plano externo, o Chefe de Estado admite que o país deve ter uma presença mais acutilante em Africa, não obstante a sua dimensão económica e política.

“Podemos e devemos ter uma política mais forte, mais activa, mais interveniente seja na União Africana, seja na CEDEAO. Mas, também não é fácil por causa dos recursos.”

O Presidente da República defende que Cabo Verde deve intensificar as relações bilaterais e multilaterais conforme interesses próprios, em cada momento. Jorge Carlos Fonseca põe de lado, pelo menos por enquanto, a adesão de Cabo Verde a uma hipotética moeda única africana.

“A ideia de Cabo Verde abraçar a política da moeda única eu creio que não é para os tempos mais próximos. É um processo complexo, eu creio, e deve levar ainda algum tempo. Mas, Cabo Verde não tem sido um entusiasta desta meta, digamos, deste objectivo.”

O Chefe de Estado cabo-verdiano considera que, a par de uma presença mais forte em África, Cabo Verde deve manter ou até aumentar a diversidade de parcerias de que dispõe. Cabo Verde mantém uma parceria especial coma UE, tem relações privilegiadas com os EUA, com diversos países europeus, e com o Brasil.

Em África tem compromissos a nível da CEDEAO, dos PALOP, além das relações bilaterais com vários países africanos.

Levi Salomão, RCV
Editado por Benvindo Neves



Relacionados

Comentários

Pesquisar