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Ano Lectivo: passagem administrativa ou aulas à distância? Visões de quem está ou já chefiou a Educação


09 Abr 2020 Sociedade

As aulas do terceiro trimestre deveriam começar na próxima segunda-feira, 13. Mas, tendo em conta o Estado de Emergência e as indefinições futuras devido à propagação do novo coronavírus, o Ministério da Educação ainda está a trabalhar nas alternativas.

Uma delas será a adequação dos curricula para reposição, caso as aulas voltem no dia 20. Não sendo possível, outra proposta é usar a rádio e a televisão para transmitir os conteúdos. Ou ainda, fazer chegar fichas e apostilas aos alunos.

Em caso de impossibilidade de se retomar as aulas, a passagem administrativa, ou seja, passagem automática, será o último recurso, como explica a Diretora Nacional da Educação, Eleonora Sousa. “Nós não estamos a pensar na passagem administrativa, pelo menos, de momento, esta possibilidade não se coloca. A legislação permite avaliação com os dois períodos, mas por agora estamos a procurar todos os meios, todas as alternativas para manter a recuperação dos conteúdos e identificar aqueles que são prioritários para os fazer chegar ainda aos alunos do 12º ano.”

Para o ensino à distância, está sendo ponderado o apoio aos professores e orientações às famílias. Inclusive, o Ministério da Educação prevê adquirir equipamentos electrónicos para apoiar famílias e professores.
“Vamos adquirir mais tablets para chegar
à todos os professores. Temos mais de 6 mil docentes  e neste momento já identificamos os novos, aqueles que entraram neste novo ano lectivo e que ainda não têm tablets. Em poucos dias estaremos a adquirir tablets para eles. Em relação aos alunos, também estamos, juntamente com parceiros, a fazer aquisição de meios, computadores ou tablets, para distribuir àqueles que não têm essa possibilidade. Será feita uma entrega com carácter devolutivo”, explicou a Directora Nacional de Educação.

Ensino à distância, uma dor de cabeça?


Enveredar-se pelo ensino
à distancia, de um momento para o outro não se afigura nada fácil. Pelo menos assim pensa Filomena Martins, professora e antiga ministra da Educação. Martins apoia-se em números para chamar atenção para a dificuldade que será implementar o ensino à distância com recurso às novas tecnologias.
“Mais de 60% de famílias cabo-verdianas nas cidades, e 80% no meio rural, não têm computador, não têm acesso a um portátil, não têm um tablet. Outros 20% nas cidades, e 30% no meio rural, não têm acesso à internet e à televisão. Temos aqui uma grande dificuldade seja em equipamentos informáticos, seja no acesso à internet. Uma grande questão para a Educação é a criação e domínio, repito domínio, de plataformas. É que nós ainda estamos a combater aquilo que consideramos o analfabetismo informático e a exclusão digital”, pontuou a antiga ministra da Educação.  

Outra professora, outra Filomena, que também já foi ministra da Educação, é Filomena Delgado. Ela defende que, não havendo outra possibilidade, os alunos sejam avaliados com dados dos 2 trimestres para a conclusão do ano letivo.
“Eu penso que o essencial seria fazer essa avaliação com os dois trimestres. Entretanto, para ter os alunos ocupados e ir transmitindo os conteúdos, importa analisar as diferentes alternativas que têm sido apresentadas para leccionar os conteúdos que estavam planificados para o terceiro trimestre. Claro que o caso do 12º ano merece uma aten
ção especial tendo em conta que estamos a falar de alunos que vão para as universidades. Mas, também penso que, neste caso, são alunos que já têm maior domínio das tecnologias”, concluiu Filomena Delgado.

Essas possibilidades estão a ser avaliadas porque dados de outros países indicam que após período de isolamento social, com a retomada das aulas, a propagação da Covid-19 tende a aumentar. E porque Cabo Verde está a apostar na prevenção, essa possibilidade iria contrariar toda a estratégia sanitária.

Emerson Pimentel, RCV
Editado e disponibilizado online por Benvindo Neves



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